AFINAL, O QUE É "MATTE PAINTING"?

Traduzido literalmente, matte painting significa "pintura opaca". É como uma máscara, dotada de áreas de transparência e opacidade. Antes que uma técnica, do ponto de vista do artista o matte painting é uma aplicação na qual formas convencionais de pintura são aplicadas para alterar a composição visual de um filme ou fotografia.

Na indústria cinematográfica, o matte painting tanto pode ser um efeito in-camera (já presente na película quando de sua remessa para o processamento em laboratório) como de composição ou pós-produção.

Quando empregado como efeito "in-camera", o matte painting é obrigatoriamente um elemento físico, presente no set de filmagem tanto como um painel servindo de imagem de fundo, como em placas de vidro ou acetato dispostas em vários planos para complementar o cenário.
Chroma Key

Desde os recentes avanços da computação, o efeito "in-camera" foi praticamente substituído pela inserção de elementos visuais na pós-produção. Basicamente, as cenas são filmadas sob um fundo de recorte (em verde, azul ou, ou muito raramente, vermelho) como se vê na foto, na qual o "homem do tempo" dá suas previsões. Aquele mapa que vemos na televisão é inserido sobre esse fundo verde. Usando um monitor de referência, o homem to tempo vê para onde está apontando, assim não fala de Sergipe enquanto aponta para o Ceará.

No flash abaixo incluo alguns exemplos básicos do matte painting. Os fundos que preparei para a parte animada ("em filme") foram executados em 3d e posteriormente inseridos e tratados (pós-produção) como cenário de um curta-metragem em preto e branco executado por alunos do curso de cinema da PUC-RS. A imagem de fundo do flash é um outro ângulo do mesmo cenário.

Os exemplos estáticos são mais diversificados, buscando mostrar de maneira mais ampla as diversas aplicações do matte-painting. Tratam-se basicamente de "colagens" de elementos diversos colhidos de várias fotografias, recortados e tratados para compor um todo harmônico.

HISTÓRIA

Quando se fala de matte painting, pode-se dividir a história em ACG e DCG (Antes da Computação Gráfica e Depois da Computação Gráfica), advento que transformou radicalmente a maneira de se fazer matte painting e, consequentemente os requisitos técnicos para tornar-se um artista na área como veremos mais adiante.

Neste link publicamos alguns exemplos práticos do matte painting executados por nós.

Antes da Computação Gráfica

Em 1860 o fotógrafo Henry Peach Robinson tornou-se um sucesso comercial pale combinação de negativos com desenhos para "incrementar" os objetos de sua arte. Em 1905, inspirado nas experiências de Robinson, Norman Dawn, outro fotógrafo, deu um passo adiante, posicionando placas de vidro pintadas à mão entre a lente e o objeto de suas fotografias. O próprio Norman Dawn acabaria trabalhando com cinema, desenvolvendo para o filme Missões na Califórnia (1907) um sistema ainda usado em filmes recentes como Dança com Lobos (1990). Sua carreira cinematográfica só iria encerrar-se 63 anos depois, com o recorde absoluto de 861 planos trucados.

Além do preciosismo na composição e detalhes, dependendo to temperamento do diretor, a atividade de matte painter eventualmente ainda exigia que o artista estivesse presente no set de filmagem para pequenas correções e alterações de última hora. Nem todos os artistas tinham tal disposição o que implicava em eventuais impasses e até mesmo atrasos na produção, pois a pintura vista como um elemento fixo na composição impunha restrições às vezes dramáticas à liberdade de movimentos da câmera que somente alguns câmeras muito hábeis e talentosos conseguiam driblar.

Ainda assim, pelas possibilidades pictóricas que oferecia, em adição à drástica redução nos custos de produção, o matte painting vingou, integrando-se à rotina da produção cinematográfica e chegando a destacar-se em filmes como Kingo Kong, Cidadão Kane e O Mágico de Oz e seu peso e relevância na criação do universo mágico do cinema não devem ser subestimados.

O Mágico de Oz marcou história com o uso extensivo do matte painting em cenários de extraordinária beleza, criando um ambiente de sonhos perfeitamente sincronizado com a temática da obra.

O pós-guerra vem encontrar uma Hollywood equipada com departamentos especializados em praticamente todos os estúdios.

Depois da Computação Gráfica

Esqueça as chapas de vidro, esqueça as tintas e os pincéis, esqueça os obstáculos à movimentação das câmeras. No ambiente digital dos modernos estúdios de efeitos especiais o matte painting é executado em computador a qualquer momento antes ou depois das filmagens. O diretor queria um clima mais noir? O vale deveria ser mais verdejante? Que tal acrescentar algumas ruínas? A imaginação, o prazo e o orçamento são os limites.

O matte painter do século XXI não é mais obrigatoriamente um excelente ilustrador ou artista plástico. Basta um bom senso estético e amplo domínio de um software de edição gráfica. É claro que uma sólida formação em desenho e ilustração ajudam e muito.

Os intricados backdrops são compostos por sucessivas colagens e retoques de elementos extraídos de cliparts fotográficos ou da própria internet. Ouso ir além, e afirmar que o cinema de hoje elevou a magia do sonho ao status de para-realismo, principalmente com a adição da modelagem e animação em três dimensões.

Atualmente o matte painting está presente em 9 entre 10 filmes que você vê. Duvida? Que tal Rain Man? Ou Dança Com Lobos?

Como diria Rocco Gioffre: "Nós fazemos bem o nosso trabalho quando as pessoas não podem vê-lo". Porque na indústria do entretenimento o realismo é levado muito a sério.

Matte Painting na Internet

Sites que enfocam o matte painting.

Artistas:

Empresas:

Sites Sobre Matte Painting:

No Youtube

Para ver mais vídeos, digite "matte painting" na caixa de busca do Youtube.

 

Publicado em 09/7/2006

 
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